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A história da urna eletrônica: inovação e segurança nas eleições

Descubra como a urna eletrônica se tornou uma realidade no Brasil e suas inovações ao longo dos anos.

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Telefone fixo, disquetes e cinco 'ninjas': os bastidores da criação da urna eletrônica

A urna eletrônica, que revolucionou o processo eleitoral no Brasil, surgiu em um contexto de necessidade de modernização das votações. Em 1998, a cidade de Acaraú, no Ceará, foi uma das primeiras a experimentar essa nova tecnologia, que até então era desconhecida para a maioria dos eleitores. O cartaz “vote em mim”, que chamava a atenção para a nova máquina, simbolizava a transição de um sistema tradicional baseado em papel para um processo mais eficiente e seguro.

O surgimento da urna eletrônica

A ideia de implementar a máquina de votar remonta ao Código Eleitoral de 1932, mas foi somente em 1996 que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu colocá-la em prática. Isso ocorreu após um histórico de fraudes eleitorais, incluindo a anulação de parte das eleições de 1994 no Rio de Janeiro. A equipe responsável pelo desenvolvimento da urna, composta por cinco especialistas conhecidos como “ninjas” – três dos quais de ascendência japonesa – trabalhou arduamente em Brasília para criar um equipamento que atendesse às condições variadas do Brasil.

Desafios de desenvolvimento

Mauro Hashioka, engenheiro do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e seus colegas enfrentaram desafios significativos. Eles precisavam garantir que a urna funcionasse sem conexão à internet, tivesse bateria própria, fosse resistente e fácil de transportar. Para facilitar a usabilidade, o design do teclado foi inspirado no telefone fixo da época, familiar a todos.

Inovação e segurança com disquetes

A primeira versão da urna utilizava disquetes, uma tecnologia comum nos anos 90. Dois disquetes eram necessários: um para o sistema operacional e outro para armazenar os resultados da votação. A equipe implementou uma técnica de “embaralhamento” para proteger os dados, mas enfrentou um imprevisto que quase comprometeu a eleição: ao tentar desembaralhar os disquetes, um técnico precisou passar dias isolado, resolvendo a situação sob pressão.

Com o tempo, os disquetes foram substituídos por cartões de memória, aumentando a segurança e a eficiência do equipamento. A adoção da urna eletrônica cresceu rapidamente, passando de 32% do eleitorado em 1996 para 58% em 1998 e alcançando a totalidade em 2000.

Controle rigoroso e testes de segurança

O TSE controla rigorosamente tanto a fabricação do hardware quanto o desenvolvimento do software da urna. O edital de contratação é detalhado, com quase 800 páginas de exigências técnicas, e a produção é monitorada de perto. O código-fonte dos softwares é disponibilizado para auditoria um ano antes das eleições, garantindo transparência.

Em 2009, uma nova abordagem foi implementada com os Testes Públicos de Segurança (TPS), permitindo que especialistas testassem a robustez do sistema e ajudassem a identificar vulnerabilidades. Essa iniciativa, proposta por Giuseppe Janino, enfrentou resistência inicial, mas se mostrou crucial para aprimorar a segurança da urna.

Desde sua implantação, a urna eletrônica tem se mostrado eficiente e segura, com o TSE afirmando que nunca houve comprovação de fraude no sistema de votação eletrônico brasileiro. A evolução dessa tecnologia continua a ser um tema central nas discussões sobre a integridade e a modernização do processo eleitoral no país.

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