As diretivas antecipadas de vontade, popularmente conhecidas como testamento vital, têm se mostrado fundamentais para guiar os cuidados de saúde em momentos críticos. Elas permitem que pessoas, em plena capacidade mental, expressem suas preferências sobre tratamentos médicos quando enfrentam doenças graves e terminais. Um recente estudo publicado no Journal of the American Geriatrics Society, que analisou dados de 2.850 idosos com 65 anos ou mais, revelou que aqueles que incluíam esses documentos em seus prontuários eletrônicos apresentavam uma redução de 25% na probabilidade de serem submetidos a cuidados de fim de vida que podem ser desgastantes, além de 31% menos chances de falecerem em hospitais.
Diretivas antecipadas: mais que um documento jurídico
Danny Scerpella, autor da pesquisa e pesquisador na Universidade Johns Hopkins, destaca que as diretivas antecipadas são frequentemente vistas apenas como questões legais. No entanto, os resultados sugerem que, quando esses documentos estão facilmente acessíveis nos prontuários médicos, eles estão associados a um tratamento menos agressivo e a uma diminuição nas mortes hospitalares entre os idosos.
Reflexões sobre o ato de cuidar
A gerontóloga Terezinha Monteiro Martinez, com uma vasta experiência na área de cuidados, lançou recentemente um e-book intitulado “O cuidado familiar à pessoa idosa: um guia social domiciliar”. Em colaboração com o pedagogo e doutorando Alexandre Augusto e Souza, ela explora de maneira acessível os princípios essenciais do cuidado, abordando desde as dinâmicas familiares até as redes de apoio necessárias para lidar com questões como a demência e a finitude da vida.
Martinez e Souza alertam sobre os perigos do que chamam de “cuidado improdutivo”, caracterizado por uma abordagem autoritária que pode gerar distanciamento nas relações. Eles propõem uma reflexão empática em três etapas:
Três passos para uma abordagem mais empática
1. Visualizar o futuro: Imagine-se mais velho e considere como isso afetaria sua vida cotidiana. Já pensou em depender de cuidados intensivos?
2. Conviver e observar: Passe tempo com um familiar idoso, reconhecendo as dificuldades do envelhecimento, mas também as habilidades que ele pode compartilhar com sua família e comunidade.
3. Colocar-se no lugar do outro: Experimente as atividades diárias da pessoa idosa, compreendendo melhor suas necessidades e desafios.
Esses passos visam promover uma relação mais solidária e compreensiva, essencial para a qualidade do cuidado no final da vida. A reflexão e a empatia são chaves para aprimorar a experiência tanto para os cuidadores quanto para aqueles que recebem os cuidados.







