Alunas da rede estadual da Bahia transformaram suas experiências pessoais em um projeto de pesquisa que resultou na criação de um creme para tratamento de acne, inovando na feira de ciências da escola.
Da experiência pessoal à pesquisa científica
Valéria Pereira, uma das estudantes, se lembrou de uma dica da avó sobre o uso de tomate-cereja para tratar acne. Essa sugestão despertou sua curiosidade e, ao ingressar no ensino médio no Colégio Estadual Governador Luiz Viana Filho, em Guanambi, a ideia evoluiu. Com a ajuda da professora de Biologia, Elizângela Souza Vieira, Valéria e sua colega, Eduarda Diamantino, decidiram investigar a eficácia do tomate-cereja em um projeto escolar.
Início da pesquisa
Inicialmente, as alunas tinham como objetivo apenas cumprir uma atividade para obter notas. Porém, ao receberem orientação da professora, perceberam que poderiam explorar a questão de maneira mais profunda. Elas começaram a estudar os componentes do tomate, como o licopeno, e a ideia de desenvolver um creme à base de tomate-cereja e glicerina tomou forma. O projeto exigiu organização e registro detalhado das etapas, além da pesquisa bibliográfica.
Resultados e limitações
Após um mês de testes com seis voluntários, as alunas relataram mudanças na oleosidade da pele e nas lesões de acne. No entanto, a professora destacou que esses resultados não comprovam a eficácia do creme, pois o projeto ainda é considerado experimental e não substitui pesquisas científicas rigorosas.
A importância da investigação científica na educação
Esse projeto exemplifica a importância da iniciação científica nas escolas, desafiando os alunos a se fazerem perguntas relevantes sobre o mundo ao seu redor. A professora Elizângela enfatiza que essa abordagem educacional, que promove a pesquisa e a formulação de hipóteses, é crucial para o desenvolvimento dos alunos. Ela também apontou que, embora a diversidade de projetos seja enriquecedora, a execução de pesquisas enfrenta barreiras, como a falta de materiais e recursos financeiros.
Desafios enfrentados
Durante o processo, tanto as alunas quanto a professora enfrentaram dificuldades, como a necessidade de arcar com os custos dos ingredientes do creme devido à falta de materiais no laboratório da escola. A professora também relatou a dificuldade de equilibrar suas responsabilidades com a orientação dos projetos.
A experiência e seus frutos
Apesar de não ter sido selecionado para a Feira de Ciências da Bahia, o projeto proporcionou às alunas uma experiência valiosa. Eduarda agora estuda Odontologia, enquanto Valéria pretende se especializar em estética. Ambas reconhecem que a pesquisa transformou suas percepções sobre a ciência e a educação.
Iniciativa e estímulo à ciência nas escolas
A história de Valéria e Eduarda ilustra que a inovação na educação científica não depende necessariamente de infraestrutura avançada, mas sim da curiosidade e do desejo de aprender. Iniciativas governamentais, como o Programa de Iniciação Científica Júnior (ICJ) e o programa Mais Ciência na Escola, buscam fomentar esse espírito investigativo nas escolas públicas.
Olhos no futuro
Atualmente, as alunas e sua professora sonham em aprofundar suas pesquisas sobre as propriedades do tomate-cereja e até patentear uma fórmula. Para elas, a experiência adquirida ao longo do projeto é um grande triunfo, mostrando que a curiosidade e o empenho podem levar a descobertas significativas. Eduarda conclui que o aprendizado vai muito além de uma simples tarefa escolar, refletindo a importância de se engajar em pesquisas e estudos.







