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Teste do pezinho ampliado: acesso desigual no Brasil ainda persiste

Mãe de criança com diagnóstico tardio clama por acesso universal ao exame no SUS.

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‘Matei os neurônios do meu filho’, lembra repórter que não teve acesso ao teste do pezinho ampliado; exame ainda avança lentamente no SUS

O acesso ao teste do pezinho ampliado no Brasil ainda é desigual, gerando preocupações sobre o diagnóstico precoce de doenças raras em bebês e suas consequências.

A importância do teste do pezinho

O teste do pezinho é um exame fundamental realizado entre o 3º e o 5º dia de vida do recém-nascido, que consiste na coleta de sangue do calcanhar. Embora não forneça um diagnóstico definitivo, identifica doenças raras, permitindo um encaminhamento rápido para tratamentos necessários. Atualmente, o SUS oferece dois tipos de teste: o básico, que detecta apenas sete doenças, e o ampliado, que pode identificar mais de 50 condições, disponível na rede privada e em poucos estados na rede pública.

Desigualdade no acesso ao teste ampliado

Em 2021, a Lei nº 14.154 foi sancionada, ampliando o teste do pezinho no SUS. No entanto, após cinco anos, a implementação do exame ampliado é limitada a apenas dois estados e ao Distrito Federal. Enquanto Minas Gerais oferece triagem para 64 doenças, a maioria dos estados ainda realiza o teste básico, que monitora entre seis e oito doenças. Essa disparidade é alarmante, considerando que um bebê a cada 2.500 nascidos pode sofrer sequelas irreversíveis devido à falta de um diagnóstico adequado.

História de um diagnóstico tardio

Larissa Carvalho, uma jornalista, compartilha a dolorosa experiência de seu filho, Theo, que nasceu com acidúria glutárica tipo 1. O teste do pezinho que fez na época não detectou essa condição, resultando em um diagnóstico tardio e em danos neurológicos irreversíveis. Essa experiência motivou a criação da Lei Theo, que busca assegurar que o teste ampliado esteja acessível a todas as crianças no SUS.

Casos de sucesso com diagnóstico precoce

Por outro lado, o caso de Maitê, que teve sua Atrofia Muscular Espinhal detectada no teste ampliado, ilustra o impacto positivo de um diagnóstico precoce. Graças à triagem, ela pôde iniciar o tratamento imediatamente, evitando sequelas.

A necessidade de uma implementação eficiente

Especialistas, como Antonio Daher, presidente da Casa Hunter, ressaltam que o teste do pezinho é apenas o primeiro passo. É crucial garantir que haja um atendimento especializado e um encaminhamento ágil após a triagem. Contudo, a cobertura do teste básico ainda é preocupante, com estados como Goiás e Roraima apresentando taxas de cobertura abaixo de 70%.

Planos do Ministério da Saúde

Apesar das dificuldades, o Ministério da Saúde afirma que a cobertura nacional do teste do pezinho é de 87% e que a expansão do exame ocorrerá em cinco etapas, com previsão até 2030. Entretanto, as mães como Larissa continuam clamando por um acesso mais amplo e eficaz ao teste do pezinho ampliado, fundamental para a saúde e bem-estar de seus filhos.

Em resumo, a luta por um acesso equitativo ao teste do pezinho ampliado é crucial para garantir que bebês em todo o Brasil possam ser diagnosticados precocemente e receber os cuidados necessários para evitar sequelas permanentes.

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