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Renan Santos vota em escola da Zona Sul de São Paulo

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Renan Santos vota em escola da Zona Sul de São Paulo

Renan Santos vota em escola da Zona Sul de São Paulo.
Carlos Henrique Dias/Globo
O candidato à presidência pelo Missão, Renan Santos, votou na manhã deste domingo (4) em uma escola estadual da Zona Sul de São Paulo.
A partir das 17h, o candidato acompanhará a apuração de votos na sede do partido, na capital paulista, em um evento fechado à imprensa.
Após a apuração, ele deve participar de uma coletiva de imprensa na região do Morumbi, também na Zona Sul.
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Renan Santos vota em São Paulo
Primeira eleição da carreira
Renan Santos disputa sua primeira eleição na carreira como candidato à Presidência e leva pela primeira vez o partido Missão, criado em 2025, às urnas.
Em uma eleição marcada pela polarização, Renan Santos se apresenta como o candidato antissistema de olho em consolidar seu partido, o Missão, também estreante em eleições, e em se estabelecer no cenário político visando eleições futuras.
Renan tem 42 anos, é ativista político e empresário. O candidato nasceu na cidade de São Paulo e estudou direito na Universidade de São Paulo (USP), sem concluir o curso.
O empresário e músico aposta em um discurso muitas vezes radical, voltado ao público jovem e com críticas a “velha política”, direcionando seus ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, principalmente, a Flávio Bolsonaro, candidato do PL ao Palácio do Planalto.
“Dois fracassados, dois medrosos, Lula e Flávio Bolsonaro, dois criminosos que fazem negócio com o crime organizado”, afirmou Renan.
Renan Santos falou com apoiadores em Santos (SP)
Danilo Santos/TV Tribuna
As pesquisas colocam Renan variando entre 3% e 6% das intenções de voto, o que na prática aponta um empate técnico com Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) na terceira colocação.
Apesar de ser o principal crítico de Flávio Bolsonaro entre os postulantes da chamada “terceira via”, Renan e seus aliados já caminharam ao lado do bolsonarismo na eleição de 2018, que elegeu Jair Bolsonaro presidente da República.
Após aparecer na política brasileira em 2014 como fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), movimento oriundo das manifestações que culminaram no impeachment da presidente Dilmar Rousseff em 2016.
Nas eleições de 2018, o MBL apoiou Jair Bolsonaro contra Fernando Haddad, mas já em 2019 rompeu com o governo e virou alvo da militância bolsonarista.
Nesse cenário, o MBL se viu diante de um esvaziamento, mas sobreviveu e consolidou sua posição como oposição a Lula e a família Bolsonaro.
Campanha nas redes e nas ruas
Sem espaço no horário eleitoral da TV e do Rádio, Renan Santos apostou em uma campanha através das redes sociais, e nas ruas de cidades do Brasil.
O candidato viajou de carro para capitais e cidades do interior do Brasil governadas por caciques e grandes partidos da política com foco em consolidar a posição contra a “velha política” e como alternativa à polarização entre Lula e a família Bolsonaro.
O discurso na segurança pública de Renan Santos é inspirado na política implementada em El Salvador pelo ditador Nayib Bukele e se resume em uma frase muito utilizada pelo candidato: “prendeu, matou”.
Na linha do que Bukele fez em El Salvador, Renan defende que integrantes do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC), as duas principais facções criminosas brasileiras, recentemente declaradas terroristas pelo governo norte-americano, não tenham direito a um processo criminal padrão da Justiça brasileira.
👉No entanto, o modelo é muito controverso. Um dos problemas é que grande parte das prisões desse modelo ocorreu sem mandados ou provas, com base apenas em denúncias anônimas. Além disso, entidades de direitos humanos do país também denunciam a realização de julgamentos coletivos.
Questionado sobre o modelo “prendeu, matou” na sabatina feita pelo g1 e pela Globonews, Renan tentou explicar a frase, que estampou camisetas e até um bicho de pelúcia comercializados pelo Missão.
“Se você é um bandido, você tem apenas duas opções no meu governo. Ou você vai ser preso, ou se você reagir, você vai terminar morto ou machucado. […] A regra hoje é o prendeu, soltou”, afirmou.
Renan Santos defende intervenção federal em estados que não colaborarem no combate ao crime organizado
Reprodução/TV Bahia
Renan também defende medidas de exceção no combate ao crime organizado com a decretação de um estado de defesa. Ele defendeu também gastos de R$ 6 bilhões para construir presídios.
“Antes da GLO do [Michel] Temer tivemos as UPPs no Rio, que inicialmente tiveram sucesso e depois não deram certo, porque o Brasil não fez arcabouço legal para sustentar esse processo”, disse durante sabatina na TV Globo.
Plano de governo
As propostas do candidato do Missão estão no chamado Livro Amarelo, editado pelo próprio partido.
Entre elas está uma política de “desfavelização”, baseada na titulação de terras em comunidades e o fomento da economia nesses locais através de obras de infraestrutura e investimentos em segurança.
A promessa, segundo o plano de governo, é transformar mais de 12 mil favelas em bairros.
“Uma pessoa que vive hoje em uma favela, ela não é titular de direitos. Ela tem taxa de tuberculose maior, taxa de gravidez na adolescência maior, presença endêmica do crime organizado. A anomalia urbanística chamada favela precisa ser confrontada, enfrentada e resolvida. Países sérios não têm favela”, argumentou.
Renan Santos diz que se eleito, pretende desvincular os pisos de saúde e educação, além de promover um corte de gastos, como forma de evitar a aceleração do crescimento da dívida pública no Brasil.
“As medidas que nós vamos adotar, no mínimo, vamos deixar ela [a trajetória da dívida] estável com cortes de gastos e aumento do PIB […] Hoje, ela está acelerando velozmente, e nós precisamos cortar a velocidade de aceleração dela. Ela acelera através das indexações e vinculações”, pontuou.
Além disso, Renan defende uma nova reforma da previdência social.
O programa de governo do candidato do Missão estima que as reformas fiscais propostas podem gerar uma economia de R$ 1,1 trilhão até 2031.
Em suas propostas sobre política externa, Renan defende que o Brasil assuma um protagonismo ainda maior na América do Sul e tenha uma relação equilibrada com Estados Unidos e China, que lideram a disputa geopolítica atualmente.
Em entrevista ao JN, Renan defendeu que o Brasil desenvolva uma bomba atômica para ser “respeitado internacionalmente”.
Polêmicas
Com uma atuação agressiva na política, Renan e seus aliados do Missão se envolveram em diversas polêmicas durante a trajetória que fez o MBL se tornar um partido político.
A maior delas foi quando vazaram áudios do então deputado estadual Arthur do Val, também fundador do MBL, durante uma viagem à Ucrânia, que havia sido invadida pela Rússia.
Nas mensagens, que culminaram na cassação de do Val, o ex-deputado enviou mensagens a amigos com comentários sobre mulheres ucranianas. Em um dos trechos, afirmou que elas “são fáceis porque são pobres”.
Nas mensagens, do Val afirmou que Renan fazia uma viagem anual pela Europa com o objetivo de se relacionar com mulheres loiras.
Segundo ele, a viagem era chamada de “tour des blondes”: “O Renan faz uma viagem todo ano, ele chama tour des blondes. Ele viaja os países e vai só para pegar loira. Ele tem técnicas, ele está avançado. Pra começar, ele fala sueco, o cara é viciado nisso”.
Ao JN, Renan disse que gostaria de ter evitado as declarações do amigo, mas que foram declarações de foro privado.
“Em defesa dele, foi um áudio em ambiente privado com amigos dele. Não era nem no nosso grupo político. Esse áudio vazou e após vazar, ele sofreu as consequências políticas dele. O áudio é muito ruim. Se a pessoa ouve o áudio, a pessoa, mulher ou homem mesmo, fica: ‘esse áudio não é adequado’. Dito isso, foi um áudio privado, em um ambiente privado e ele perdeu o mandato dele”, declarou.

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