A líder do Governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), disse ao Poder360 nesta 2ª feira (5.out.2026) que a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a escala 6 X 1 não será votada nesta semana. Outros senadores governistas também avaliam que o clima para a análise da proposta esfriou depois do resultado do 1º turno das eleições, em que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terminou atrás de Flávio Bolsonaro (PL).
A avaliação entre integrantes da base é que o resultado das urnas aumentou as incertezas sobre a disposição dos senadores de acelerar a tramitação da PEC antes do 2º turno, marcado para 25 de outubro.
O fim da escala 6 X 1 é considerado pelo governo uma das principais pautas para a campanha de reeleição de Lula. Por isso, integrantes do Palácio do Planalto pressionam pelo avanço da proposta. O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que a medida é uma “prioridade do governo” e defendeu que seja votada até 4ª feira (7.out.). O ministro, no entanto, reconheceu que o avanço da proposta depende do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Sem acelerar o rito
Pelo rito tradicional, a PEC precisa passar por 5 sessões de discussão antes de ser votada em 1º turno. O intervalo entre as sessões, no entanto, pode ser reduzido por acordo entre os líderes.
Senadores governistas avaliam que o quórum também pode ficar esvaziado nas sessões semipresenciais estimadas para esta semana, o que dificulta uma articulação para acelerar a votação.
Até o momento, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado, não reuniu os líderes para discutir a possibilidade de reduzir o intervalo entre as sessões e antecipar a votação.
Alcolumbre e a reeleição
A aprovação de pautas de interesse do governo, entre elas o fim da escala 6 X 1, é considerada parte das conversas para que o senador amapaense obtenha apoio dos governistas à sua candidatura à reeleição no comando da Casa.
A estratégia ganhou um novo elemento depois das eleições no Amapá. O candidato apoiado por Alcolumbre ao governo, Clécio Luís (União Brasil), perdeu para Dr. Furlan (PSD) no 1º turno. Na disputa pelo Senado, os candidatos apoiados pelo presidente da Casa também não foram eleitos. As duas vagas ficaram com Rayssa Furlan (Podemos) e Lucas Barreto (PSD).
Com a derrota de seus principais aliados no Estado, Alcolumbre perde força política em seu principal reduto eleitoral e terá de ampliar a articulação para garantir apoio à sua permanência no comando do Senado. Nesse cenário, a aprovação da 6 X 1 pode ajudar a fortalecer sua imagem política, já que a proposta tem forte apelo popular.
Pressão para votar em 2026
Apesar das incertezas, governistas avaliam que a PEC precisa ser votada ainda em 2026. A leitura é que deixar a análise para 2027 seria mais difícil diante da nova composição do Senado, com maior presença de congressistas de direita.
O PL, que terá a maior bancada do Senado a partir de 2027, apoia uma alternativa ao fim da escala 6 X 1. A proposta defendida pelo partido estipula que empresas e funcionários negociem diretamente jornadas e condições de trabalho.
Omar Aziz
O relator da PEC no Senado, Omar Aziz (PSD-AM), está no 2º turno da disputa pelo governo do Amazonas. Ele teve 40,63% dos votos, enquanto sua adversária, Professora Maria do Carmo (PL) recebeu 24,49%.
Apesar de ter menos tempo para articulação, já que está dedicado à campanha, a aprovação do fim da escala 6 X 1 pode contribuir para sua aprovação nas urnas.







