O mês mais sombrio do ano chegou para a grande maioria dos estabelecimentos, fazendo com que teias e bruxas se tornem artigos de decoração comuns. Entretanto, na Dead Burger, uma hamburgueria temática localizada no bairro Mercês, em Curitiba, o Halloween começou há pelo menos uns três meses, logo na inauguração do espaço.
Assim como tudo no local, a experiência de quem visita a hamburgueria não começa por uma simples porta de entrada. Pelo contrário. Os clientes são convidados a entrar por uma espécie de túnel escuro, cheio de fumaça, onde a cada passo, atores com uma caracterização aterrorizante estão prontos para recepcionar da forma mais assustadora possível (se assim o cliente desejar, claro).
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Segundo os sócios Bruno Henrique dos Santos Souza, de 33 anos, e Gabriel Inocêncio da Silva, de 28, a equipe é treinada para perceber as reações do público e dosar a intensidade das interações, especialmente quando há crianças. Para aqueles que “sobrevivem” à passagem pelo labirinto, um espaço amplo, aconchegante e temático os aguarda. Ali, no salão, cada detalhe também é pensado milimetricamente, desde a decoração até os nomes dos hambúrgueres e drinks.
Sucesso em São Paulo
A proposta da Dead Burger faz parte da experiência da franquia, que surgiu em São Paulo e foi inaugurada em Curitiba no dia 4 de julho. Segundo Bruno, a ideia nasceu a partir do negócio criado pelo comediante Netto Tomaz. A primeira unidade foi aberta em Tatuapé e a segunda na Lapa, ambas em São Paulo.
Em Curitiba, a oportunidade surgiu por meio de uma relação familiar com um dos envolvidos na franquia. Gabriel conheceu a proposta, gostou do conceito e decidiu trazer o negócio para a capital paranaense. Hoje, além de Gabriel e Bruno, há outros dois sócios: Valdir Antônio da Silva e Rodrigo Bispo da Silva.
“A gente gostou da ideia e resolveu trazer para Curitiba. A gente trouxe todo o ambiente e hoje está dando super certo”, conta Gabriel. “Eu não vi nenhuma pessoa que passou pela experiência se arrepender ou não gostar. Todo mundo sai contando, dando risada. A adrenalina é insana”, complementa Bruno.
A experiência, porém, não fica restrita aos sustos. No cardápio, os pratos e bebidas recebem nomes inspirados em personagens e elementos do universo do terror. Um dos destaques é o Dead Burger, que leva cinco carnes e é entregue por um dos personagens mais “queridos” da casa (com isso quero dizer o mais aterrorizante): o Chef. Há ainda o combo Zé do Caixão, Chucky e Annabelle.
Entre as bebidas, há opções inspiradas em personagens clássicos do terror, além de um drink chamado “roleta russa”, em que o cliente gira uma roleta e pode ganhar um prêmio, ou não ganhar nada, situação que também costuma render brincadeiras e interação com os animadores.
No local é possível encontrar combos a partir de R$ 54,90 e drinks especiais a partir de R$ 34,90. Durante toda a permanência no local, os atores circulam pelo salão, interagem com os clientes e realizam sustos de acordo com o perfil de cada um.
A hamburgueria está localizada na rua Visconde de Nácar, número 468, bairro Mercês, e funciona de terça a quinta, das 18h às 23h, e de sexta a domingo, das 18h às 00h.
Por trás da maquiagem
Por trás de cada personagem existe uma verdadeira operação para a caracterização. No início, o processo levava cerca de uma hora e meia. Com a prática diária, o tempo caiu para aproximadamente uma hora.
Para além do sangue sobre a roupa e os roxos sobre o rosto, a atuação também exige preparação. Em dias comuns, são pelo menos três personagens atuando por noite. O número passa de cinco em dias de casa lotada. O Chef, aquele que serve, e o Mordomo, que recepciona, são os protagonistas da franquia.
Magna Dy Paulla é a atriz que, normalmente, interpreta o Chef. Porém, toda quarta, ela também vira a Bruxa. É impossível não se assustar com sua risada estridente. Para ela, trabalhar com arte diante do público, sem roteiros e com a possibilidade de improvisar a cada interação é o que torna a experiência diferente.
“Você vai estar ali e ter a resposta do público no ato. Não precisa esperar que as pessoas vão até as suas redes sociais para comentar alguma coisa. Elas vão falar ali, na sua frente mesmo. Assistir a um filme de terror é uma coisa, mas vir aqui e ficar de frente com os monstros é outra”, explica.
Para Carlos Costa, ator que teve a oportunidade de estudar com José Maria Santos, famoso ator e diretor teatral brasileiro, o improviso também é parte fundamental da experiência. Como cada cliente reage de uma maneira, nenhuma visita é igual à outra. O contato direto com os personagens, especialmente os inspirados no universo do terror, desperta diferentes emoções. “Não existe aquela coisa de você estar em um palco, esperar a quarta parede. Você vê a resposta do público no ato”, destaca.
Já para Luan Pierri a atuação é uma descoberta recente. Há poucos meses vem desenvolvendo suas habilidades com o apoio dos colegas, que o ajudam a ganhar confiança e a lidar com as diferentes situações do atendimento.
Segundo ele, o segredo está em encontrar o equilíbrio entre assustar, divertir e respeitar os limites de cada cliente. Entre o medo e o riso, o trabalho dos artistas mostra como o improviso e a interação podem transformar o ambiente de uma hamburgueria em um espaço de experiências inesperadas.
Expectativas para o Halloween
Diferentemente de outros lugares, com a chegada de outubro, o que muda é que a casa ganha ainda mais elementos relacionados ao Halloween. Embora o ambiente já tenha uma decoração permanente inspirada no terror, a programação do mês prevê novos personagens, mais elementos cenográficos e caracterizações especiais.
Segundo Bruno e Gabriel, a ideia é intensificar a atmosfera durante o período e preparar uma celebração especial no dia 31 de outubro. Entretanto, a programação ainda é surpresa.
Serviço – Dead Burger em Curitiba
- Onde: Rua Visconde de Nácar, número 468, bairro Mercês;
- Horário de funcionamento: de terça a quinta, das 18h às 23h, e de sexta a domingo, das 18h às 00h.







