A Copel defende que as concessões de hidrelétricas vencidas ou próximas do fim sejam submetidas a novos leilões para que a competição determine o verdadeiro valor dos ativos. Segundo Diogo Mac Cord, vice-presidente de Estratégia, Novos Negócios e Transformação Digital da companhia, prorrogar os contratos apenas com base em avaliações econômicas pode impedir que o país capture o valor que os investidores estariam dispostos a pagar.
“Quando você prorroga uma concessão simplesmente por uma planilha de Excel, vira briga de premissa”, afirmou Mac Cord em entrevista ao Alta Voltagem, programa de TV da CNN, Diogo Mac Cord.
A posição está longe de ser um consenso dentro do setor elétrico e foi colocada em consulta pública pelo MME (Ministério de Minas e Energia) as regras para a renovação ou a relicitação dessas concessões.
Para o executivo, a disputa entre interessados permite confrontar as diferentes expectativas das empresas sobre preços de energia e investimentos necessários nas usinas. Ao colocar os ativos em competição, argumenta, o governo consegue testar essas avaliações e obter maior retorno para a sociedade.
“E a hora que você coloca a mercado essas premissas, você testa com o mercado as assimetrias que existem de preço, as assimetrias que existem de investimento, e com isso você consegue absorver o maior valor para a sociedade brasileira.”
Mac Cord ressaltou a dimensão do conjunto de empreendimentos em discussão. “A gente está falando de 15 gigawatts distribuídos em 40 usinas. É muita coisa.”
Como exemplo dos ganhos que atribui à competição, o executivo citou o leilão relacionado ao GSF, sigla em inglês associada ao risco hidrológico. Segundo ele, houve usina com ágio de até 113%. Na avaliação de Mac Cord, uma solução baseada apenas em excel, naquele caso, teria deixado de capturar parte relevante do valor obtido na disputa.
“Você teria deixado na mesa 60% do valor”, afirmou, ao comparar o resultado do mecanismo concorrencial com o cenário hipotético de uma prorrogação calculada por planilhas.
Realizado pela CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) em agosto de 2025, o mecanismo do GSF negociou títulos ligados a valores não pagos no mercado de curto prazo em razão de disputas judiciais sobre o risco hidrológico.
Engie quer prorrogar concessão; Copel e Axia são contra
A francesa Engie vê risco de concentração de mercado ao discutir a relicitação de concessões hidrelétricas que estão vencendo. A discussão envolve a hidrelétrica de Salto Santiago, no Paraná. A Engie defende a prorrogação do contrato associada a investimentos para ampliar a potência da usina.
Mac Cord afirmou que a Copel participaria caso a União optasse pela realização de novos leilões.
Questionado sobre a defesa da relicitação por uma companhia que teve concessões renovadas no processo de privatização, assim como a Axia (antiga Eletrobras), o executivo sustentou que a diferença está na existência de competição na própria desestatização.
A Copel teve as concessões de Foz do Areia, Segredo e Salto Caxias prorrogadas por 30 anos, com contratos assinados em novembro de 2024. A antiga Eletrobras renovou as concessões de 22 hidrelétricas por 30 anos em 2022, no contexto de sua privatização.
Na avaliação de Mac Cord, a disputa no processo de privatização também permite testar o valor do bem público e justifica a prorrogação dos contratos. Ele citou os casos de Copel, Eletrobras e da antiga Gerasul (arrematada pela Engie) para sustentar o argumento. “Quando você tem um processo competitivo, você testa”, disse.







