O Parque Estadual Alto do Ribeira (Petar), que fica a mais ou menos 4 horas de distância de Curitiba (189 a 190 quilômetros), está com um novo e desafiador atrativo reaberto. Trata-se da Caverna Desmoronada, que estava fechada há 15 anos e recentemente voltou a integrar os roteiros de visitação do Parque.
O novo roteiro é uma das experiências mais desafiadoras do Petar. São aproximadamente 10 quilômetros de trilha, cerca de 900 metros de percurso subterrâneo e duração média de oito horas, considerando ida e volta. Classificada como difícil, a atividade ocorre mediante reserva antecipada e exige acompanhamento de monitor ambiental autônomo credenciado.
Por outro lado, a caverna se destaca por seus grandes salões, rios subterrâneos, desníveis e formações esculpidas ao longo de milhares de anos.
A caverna está localizada em Iporanga, no estado de São Paulo. Para se chegar até lá saindo de Curitiba, o caminho mais comum é pela Estrada do Ribeira (BR-476), passando pela região do Rastro da Serpente (rodovia bastante sinuosa) até a região de Apiaí e Iporanga.
Uma caverna marcada por grandes salões e desníveis
O nome Desmoronada está relacionado à própria formação geológica da caverna. Seu interior reúne enormes blocos rochosos resultantes de antigos processos naturais de abatimento do teto, que deram origem a grandes salões, galerias irregulares, desníveis e passagens acidentadas. Ao longo de milhares de anos, a ação da água subterrânea também esculpiu corredores e ampliou galerias. Em determinados trechos, a ressurgência de um rio subterrâneo atravessa a cavidade e integra a experiência do visitante. Nas galerias superiores estão espeleotemas — formações minerais desenvolvidas ao longo de milhares de anos — como estalactites, estalagmites, colunas, cortinas, escorrimentos e travertinos. Entre os pontos de destaque estão uma grande coluna central e o Pórtico do Vale das Ilusões, abertura que conecta grandes salões superiores da cavidade.
A Desmoronada oferece duas possibilidades de visitação. No circuito tradicional, a entrada e a saída ocorrem pela mesma abertura, com percurso pelos salões superiores até o Pórtico do Vale das Ilusões. Já o circuito de travessia começa pela ressurgência do rio, segue por uma caminhada ascendente entre grandes blocos e inclui uma escalaminhada interna até os salões superiores, com saída por outra entrada da cavidade.
Visitação com segurança
Por se tratar de um roteiro de alta dificuldade, a visitação segue protocolos específicos. O acompanhamento de monitor ambiental credenciado é obrigatório durante todo o percurso, assim como o uso dos equipamentos de segurança definidos para a atividade. A estruturação também incluiu a aquisição de cordas técnicas e hastes de aço inox destinadas à demarcação do caminhamento e ao isolamento de áreas ambientalmente sensíveis, contribuindo para orientar o percurso e proteger tanto os visitantes quanto o ambiente subterrâneo.
“A segurança é um dos principais critérios para a operação da visitação. O percurso foi estruturado considerando as características e os níveis de dificuldade da cavidade, com acompanhamento obrigatório de monitor ambiental credenciado e adoção de protocolos específicos para reduzir riscos e garantir a integridade dos visitantes e do ambiente subterrâneo, além da elaboração de Protocolos de Gestão de Segurança para todos os monitores credenciados a conduzir visitantes nesse atrativo”, afirma Rodrigo Aguiar, gestor da APA Quilombos do Médio Ribeira (APAQMR).
Como visitar
A Caverna Desmoronada, no Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR), em Iporanga, recebe visitantes de segunda a domingo, mediante reserva antecipada e acompanhamento obrigatório de monitor ambiental credenciado. O roteiro é classificado como difícil e tem duração aproximada de oito horas, considerando ida e volta. Informações podem ser obtidas pelo telefone (15) 3552-1875, e as reservas são realizadas pelo sistema oficial de ingressos da Fundação Florestal ingressosonline.fflorestal.sp.gov.br.
Ciência para reabrir
A cavidade permaneceu fechada à visitação pública durante o período para estudos e levantamentos necessários para estabelecer as condições de uso público e conservação do ambiente subterrâneo. O trabalho permitiu avaliar características geológicas e ambientais, áreas de maior fragilidade, riscos, impactos da presença de visitantes e condições de segurança, além de definir os setores aptos à visitação e aqueles que exigem maior proteção.
Cerca de 100 profissionais participaram do trabalho multidisciplinar que permitiu estabelecer as condições para a retomada da visitação. O processo reuniu conhecimentos acumulados ao longo de décadas de pesquisas na região e novos levantamentos realizados diretamente na cavidade. Os estudos analisaram aspectos como geologia, circulação da água subterrânea, temperatura, umidade, estabilidade de blocos, fauna cavernícola, riscos biológicos e possíveis registros históricos, culturais e arqueológicos. Também foram realizados mapeamentos detalhados de galerias, salões, desníveis e áreas de maior fragilidade ambiental.
A partir dos estudos, foram estabelecidas regras e protocolos para compatibilizar a experiência turística com a proteção de uma das cavidades mais singulares do Petar.







