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Ex-Flamengo vendia licenças falsas de treinador

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Ex-Flamengo vendia licenças falsas de treinador

Ex-jogadores de futebol brasileiro receberam diplomas de treinador atribuídos à ATFA (Associação de Técnicos de Futebol Argentino) sem cumprir as etapas exigidas pela organização, segundo investigação publicada nesta 4ª feira (7.out.2026) pela jornalista Joanna de Assis, do UOL. Os documentos eram negociados por Alejandro Mancuso, ex-jogador com passagens por Flamengo e Palmeiras. A reportagem foi baseada em áudios, mensagens e documentos reunidos pela jornalista.

Entre os nomes citados estão Thiago Silva, Roberto Carlos, Felipe Melo, Alex de Souza, Paulinho (ex-Corinthians), Luiz Gustavo, Dejan Petkovic, Diego Lugano e Paolo Guerrero. Segundo a reportagem, os jogadores pagavam cerca de R$ 100 mil por 4 licenças (C, B, A e PRO), que eram enviadas pelo correio em poucos dias. A ATFA afirma que nunca autorizou Mancuso a emitir documentos em seu nome e considera os certificados falsos.

Mancuso se apresentava como “diretor internacional da ATFA” e oferecia um “trâmite urgente”. Segundo os áudios obtidos pela reportagem, dizia ter um acordo com dirigentes da entidade para acelerar a emissão das licenças.

A formação oficial da ATFA é progressiva, da licença C à PRO, com cursos, avaliações e atividades práticas. A entidade afirma que a carreira como jogador profissional não permite eliminar essas etapas.

A maioria dos ex-jogadores afirma ter acreditado que estava contratando uma formação ou homologação válida. Thiago Silva disse que pagou por cursos que não foram ministrados e recebeu os certificados no fim de 2023, mas nunca usou os documentos.

Felipe Melo afirmou ter desconfiado da negociação ao tentar marcar aulas presenciais. Depois, retirou os documentos das redes sociais e recuperou o dinheiro. Petkovic confirmou a negociação e disse que não completou a etapa presencial.

Alex de Souza afirmou que já havia concluído os cursos da CBF Academy e nunca utilizou nem tentou homologar a licença na Conmebol. Luiz Gustavo disse ter contratado uma homologação de carreira e desconfiou dos documentos depois de receber históricos com avaliações que não realizou.

Paulinho afirmou ter acreditado que jogadores de alto nível poderiam ter a carreira reconhecida pela ATFA. Roberto Carlos negociou com Mancuso e recebeu as licenças e uma carteirinha pelo correio, mas disse nunca ter utilizado os documentos porque não concluiu o curso.

Lugano confirmou a compra de um “curso rápido”, fez a parte teórica pela internet e não cumpriu a etapa presencial. Roberto Assis também foi abordado durante a pandemia e disse não se lembrar se fez algum pagamento. Paolo Guerrero é citado entre os jogadores que teriam adquirido as licenças.

Investigação na Argentina

Em 2025, a polícia argentina fez uma busca e apreensão na sede da ATFA para investigar a emissão irregular de diplomas e licenças para ex-jogadores estrangeiros. Segundo a entidade, nenhum documento que comprovasse a emissão irregular foi encontrado.

O Ministério Público argentino pediu o arquivamento, e a Justiça Federal Criminal e Correcional encerrou o caso em dezembro de 2025 por inexistência de crime, com base no artigo 195, 2º parágrafo, do Código de Processo Penal da Nação.

Mancuso nega ter vendido licenças falsas ou recebido dinheiro dos jogadores. Disse que apenas orientava atletas interessados na formação argentina e que é comentarista de rádio. Também negou ter vínculo com a ATFA e afirmou que os atletas deveriam tratar diretamente com a federação.

A ATFA declarou que Mancuso não integra sua diretoria, não ocupa cargo de autoridade, não tem vínculo contratual com a instituição e não possui autorização para representá-la. A entidade também afirmou desconhecer as mensagens atribuídas ao diretor acadêmico Pablo Goglino e disse que o número usado nas conversas não pertence a ele.

A associação informou que poderá adotar medidas legais pelo uso de seu nome e de seus dirigentes.

Eis a íntegra da nota divulgada pela ATFA:

“Em nome da Associação de Treinadores de Futebol Argentino (ATFA), respondemos ao seu e-mail e às informações adicionais que nos enviou.

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