O Corinthians recebeu R$ 13,5 milhões da Caixa Econômica Federal na 4ª feira (7.out.2026), depois de o presidente do clube, Osmar Stabile, assinar um acordo com o banco para liberar R$ 27 milhões que estavam retidos em uma conta reserva vinculada ao financiamento da Neo Química Arena, segundo Yago Rudá do Globo Esporte. A outra metade ainda será transferida pela Caixa, em data a ser confirmada.
A diretoria pretende usar o dinheiro para pagar nesta 5ª feira (8.out) os salários de jogadores e funcionários. Os pagamentos ainda não haviam sido feitos até 4ª feira (7.out), prazo-limite estabelecido pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) para o pagamento das remunerações.
Os R$ 27 milhões estavam depositados em uma conta reserva prevista no contrato de financiamento da construção do estádio. O acordo assinado por Stabile trata especificamente da liberação desse valor. Para o Corinthians, porém, a medida também representa um avanço nas negociações para quitar a dívida de R$ 630 milhões com a Caixa pela construção da Arena.
O banco também confirmou a suspensão das parcelas trimestrais do financiamento e sinalizou que deixará de bloquear receitas de bilheteria e premiações recebidas pelo clube em competições.
A negociação se dá enquanto o MP-SP (Ministério Público de São Paulo) apura se a Caixa cobrou valores indevidos do Corinthians no financiamento da Arena. Uma representação apresentada ao órgão apontou uma possível diferença de R$ 255,75 milhões nos cálculos da dívida, e o promotor Cássio Conserino determinou uma perícia para verificar os valores. A Caixa afirma que o contrato seguiu a legislação e as normas do sistema financeiro.
Proposta envolve nome da Arena
O Corinthians propôs à Caixa ceder os naming rights da Neo Química Arena como parte da negociação para quitar os R$ 630 milhões. O termo se refere ao direito de uma empresa ou instituição de associar seu nome ao estádio em troca de pagamento.
O clube estima que esse espaço comercial possa render cerca de R$ 70 milhões por temporada. Atualmente, a Hypera Pharma paga R$ 15 milhões por ano pelo uso do nome Neo Química Arena, em contrato firmado em 2020. Pela proposta, o valor vindo do direito de nomear o estádio seria destinado ao pagamento da dívida durante o período de exploração comercial pelo banco.
A negociação também inclui outros ativos. O Corinthians propôs transferir para a Caixa sua operação financeira, criar títulos de capitalização e cartões ligados ao programa Fiel Torcedor, além de ceder o direito sobre o nome do estádio.
Dívida chega a R$ 630 milhões
Desde a inauguração da Arena, em 2014, o Corinthians já destinou cerca de R$ 600 milhões à amortização do financiamento. O contrato renegociado durante a gestão de Duilio Monteiro Alves estabelece dezembro de 2041 como prazo final para o pagamento.
As amortizações do valor principal começaram em 2025. Antes disso, em 2023 e 2024, o clube pagava apenas os juros de 2% ao ano, acrescidos da variação do CDI (Certificado de Depósito Interbancário).
A dívida da Arena faz parte de um endividamento total de R$ 2,8 bilhões do Corinthians, segundo a própria diretoria. Stabile afirma que a quitação do financiamento é uma das principais prioridades de sua gestão e atribui parte da crise financeira do clube ao débito.
Em 2025, o presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, chegou a defender publicamente que o Corinthians deixasse de pagar a Caixa para priorizar outros credores. Depois de repercussão da declaração, o banco estatal admitiu discutir uma renegociação das condições do financiamento.
O Poder360 procurou o Corinthians por meio de mensagem enviada nesta 5ª feira (8.out) via Whatsapp, para confirmar a informação. Até o momento da publicação desta reportagem, não houve resposta. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.







