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Curitibano desenvolve simulador de enchentes de Curitiba e região metropolitana

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Curitibano desenvolve simulador de enchentes de Curitiba e região metropolitana

Um simulador, chamado Cheias, irá ajudar a mapear as enchentes em Curitiba e Região Metropolitana. Criado pelo curitibano Thiago Gonçalves, o programa roda no navegador e mostra por onde a água da chuva irá percorrer o relevo de Curitiba, até chegar e encher os rios e “sair” para os bairros.

Um ranking ao vivo mostra os bairros e municípios com mais área debaixo d’água, e quantas escolas, hospitais e quilômetros de rua a água alcançou. Para saber dados sobre ” a sua rua, ele explica que o simulador diz quando a água irá passa de 30 cm ali.”

  •  Obra que amplia galeria para evitar alagamentos em bairro de Curitiba chega a fase final

A plataforma permite que o navegador solte uma célula de tempestade sobre um bairro, reviva um temporal já registrado com a chuva medida nos pluviômetros, ou rode a previsão das próximas 48 horas.  “E, com um El Niño forte se formando, um segundo painel coloca a chuva e o calor previstos para os próximos seis meses ao lado do que os El Niños fortes do passado fizeram, e transforma um mês em ponto de partida para a enchente”, explica Gonçalves.

Antes de criar o simulador, Gonçalves contou que procurou ver o que já existia para Curitiba. Ele descreve que o Flood Hub do Google prevê cheias lentas de rio, mas avisa que não cobre alagamento repentino em cidade grande. “Que é justamente o que Curitiba tem”, justifica.

Ele pontua ainda que o Plano Diretor de Drenagem do estado tem as manchas de inundação por rio, em PDFs de 2002. “Pesquisadores já mapearam o risco de bacias isoladas. Mas nada deixava você perguntar “e se chover 80 mm em uma hora, para onde vai a água?” e ver a resposta no mapa”, afirma.

O desenvolvedor cita o prognóstico do Centro de Previsão Climática da NOAA, que manteve o alerta de El Niño até março de 2027, com 83% de chance de que outubro a dezembro seja o mais forte desde 1950.

“No Sul do Brasil, El Niño forte costuma significar primavera e verão chuvosos, e muita gente em Curitiba está se perguntando o que isso quer dizer para a sua rua. Por isso o simulador ganhou uma segunda pergunta: não “e se chover 80 mm”, mas “como vai estar o mês em volta dessa chuva”.“

Para ilustrar a ajuda do Cheias, Gonçalves recorre a um temporal já registrado na cidade. Ele cita o ocorrido em 18 de fevereiro de 2025, uma terça-feira. Conforme a explicação, no dia choveu forte em Curitiba entre o fim da manhã e as três da tarde, totalizando 22,8 mm em 15 minutos por volta do meio-dia. O Simepar registrou 69 mm no Portão e quase nada no extremo sul, segundo os registros analisados.

A Defesa Civil listou os pontos de alagamento do dia. “É o melhor caso que encontrei: lista oficial por rua, 14 pluviômetros no mesmo dia, e um evento curto e intenso, que é o que este modelo existe para mostrar”, diz.

O que dá para pesquisar no Cheias

  • Procurar a sua rua. A busca acha bairros, escolas e hospitais sem sair da página, e endereços pelo OpenStreetMap. O pino mostra a que horas a água passou de 30 cm ali, o pico, o perigo e um gráfico da lâmina ao longo do tempo. No celular, é só tocar no mapa.
  • Mandar o link. O endereço da página guarda a chuva, a câmera e o pino: quem abre vê a mesma coisa, com a simulação já rodando. Dá também para baixar uma imagem ou gravar um vídeo do mapa, com relógio e legenda.
  • Escolher a chuva. Intensidade e duração livres, ou cenários prontos: do temporal de todo verão (2 anos de retorno) à cheia de três dias do Iguaçu (100 anos). Na região inteira, ou numa célula de tempestade de poucos quilômetros, solta com um clique e levada pelo vento, que é como chove em Curitiba no verão.
  • Reviver 18/02/2025. A chuva medida em 14 pluviômetros da Defesa Civil, interpolada sobre a cidade, com os 18 alagamentos reportados naquele dia marcados no mapa: verdes se a simulação alagou ali, vermelhos se não.
  • Rodar as próximas 48 horas. A chuva prevista hora a hora pelo Open-Meteo em 16 pontos da região.
  • Ver o perigo, não só a profundidade. A cor da água pode mostrar a classe de perigo da diretriz australiana ARR 2019, que junta profundidade e velocidade: onde a água derruba um carro pequeno, uma criança, um adulto. Riscos brancos mostram a correnteza.
  • Contar o que importa. Quantas escolas e creches, hospitais e postos, bombeiros e delegacias a água alcançou, quantos quilômetros de rua passaram de 30 cm e quantos ficaram perigosos para carro.
  • Ajustar a cidade. Quanto o solo e as galerias absorvem, o nível inicial dos rios, a rugosidade do terreno.
  • Abrir “Próximos meses” e rodar a enchente com o solo e os rios de um mês específico: o mais provável pela previsão, o mais chuvoso, ou “como em 1997”.

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