PSB e PDT e PV declaram apoio à reeleição de Motta e se juntam à bloco majoritário da Câmara
Com apoio de 10 partidos do Centrão, três da esquerda (PDT, PSB e PV) e o indicativo de que o PT irá apoiá-lo, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), caminha para formar o maior bloco da Casa, em apoio à sua reeleição no comando dos deputados.
Se a formação se confirmar, o PL – que fez a maior bancada de um partido desde a Constituinte, com 121 cadeiras – poderia ficar isolado e, consequentemente, perder a prioridade nas solicitações das comissões e das vagas da Mesa Diretora. O critério na escolha é matemático.
🔎Pelas regras da Câmara, partidos que fizeram a maior quantidade de cadeiras têm prioridade para fazer os primeiros pedidos sobre as presidências das comissões, que também são eleitas no início da legislatura. A mesma regra se aplica às cadeiras da Mesa (além da presidência, há duas vice-presidências, quatro secretarias e quatro suplências).
Como o PL fez a maior bancada, teria direito a escolher as três primeiras comissões. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), por exemplo, chegou a dizer, em entrevista à GloboNews, que a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) – a mais importante da Câmara – era uma de suas ambições.
Nikolas Ferreira
GloboNews
Contudo, o tamanho dos partidos isoladamente só é considerado quando não há formação de blocos. Se muitos partidos se juntam na formação de um mesmo bloco, o critério utilizado na escolha das comissões passa a considerar o tamanho do bloco, não dos partidos individualmente.
Caso o bloco de Motta se confirme com 17 partidos pelo menos, os 15 primeiros pedidos para presidir comissões seriam do PT ou de partidos do Centrão, segundo projeções feitas por técnicos do Congresso.
Neste cálculo, o PL ficaria apenas com a 16ª escolha de comissão, e não mais com as três primeiras, o que poderia jogá-lo para colegiados menos prestigiados. Apesar disso, o partido manteria sete comissões na Casa.
A simulação feita por esses técnicos considera o apoio do PSD, Republicanos, MDB, Podemos, PSB, PDT e as federações União Brasil-PP, PSDB-Cidadania e do PRD-Solidariedade, já confirmadas, além das das federações PT-PCdoB-PV e PSOL-Rede, que ainda não foram formalizadas.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), durante reunião de líderes na Câmara
Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
O cálculo definitivo depende da oficialização do bloco, que deve ser firmada no início da próxima legislatura.
O PT já sinaliza positivamente para Motta, mas só deve bater o martelo na próxima semana, após as eleições presidenciais. Alguns deputados como Rubens Pereira Jr. (PT-MA), Alencar Santana (PT-SP) e Carlos Zarattini (PT-SP) já disseram que vão trabalhar para que a bancada esteja com Motta.
A federação PSOL-Rede também não tomou uma decisão e pretende reunir a bancada na próxima semana. Segundo integrantes do PSOL, o apoio a Motta – e a entrada ou não no bloco – deve considerar alguns fatores.
Por exemplo, se haverá um acordo para mudança no sistema eleitoral. O Centrão articula com Motta a alteração do atual sistema proporcional para o distrital misto – uma forma de enfraquecer a direita nos próximos anos. O PSOL é contra a alteração pois entende que o partido seria prejudicado em alguns estados.
Jogada pode ‘forçar’ o PL
Segundo interlocutores do PL, a estratégia de Motta pode acabar forçando o partido a integrar o bloco que será formado.
Se ficar isolado, o partido perde a preferência nos espaços da Câmara. Caso se junte ao bloco, o PL se tornará o maior partido dentro do grupo e, por isso, manterá as preferências.
Foi esse cálculo que fez com que o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) e o próprio Hugo Motta, na sua primeira eleição no comando da Casa, conseguissem formar um bloco de apoio que juntou do PT ao PL.
Lira e Motta após resultado da eleição na Câmara em 2025
Reprodução/TV Câmara
Apesar disso, interlocutores do PL dizem que a decisão de integrar ou não o bloco só será tomada posteriormente. A princípio, o foco do partido será a presidência do Senado, onde também desafiam o atual comandante da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).
Cálculo errado
Lideranças do Centrão afirmam que o PL fez um cálculo errado ao antecipar o interesse em comandar a Câmara e o Senado. O próprio senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse, publicamente, que o Congresso está “muito mais à direita do que ele é hoje”.
“Com maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara”, disse Flávio após a eleição de primeiro turno.
As sinalizações do PL fizeram com que Motta ligasse o alerta antecipadamente e já começasse a articular a manutenção da sua cadeira. Segundo aliados, ele tem às mãos para negociar, por exemplo, a próxima vaga aberta no Tribunal de Contas da União (TCU), relatorias de propostas, distribuição de cargos na Mesa e nas comissões e a negociação sobre as emendas.
Um técnico do Congresso, que acompanha há muitos anos esse tipo de articulação, chama o que Motta fez de “jogada de mestre”.
“Estar de fora do ‘blocão’ vai trazer um prejuízo [para o PL] porque o bloco vai ter uma massa atrativa muito grande”, avalia, sob reserva. “Quanto mais deputados, maior é a atração, e maior é a quantidade de comissões que eles [que integram o bloco] vão escolher primeiro.”
A mesma regra se aplica à Mesa Diretora da Câmara.
“No caso da Mesa, é a mesma coisa. Pode ser que o bloco esteja tão grande que todas as vagas, pela proporcionalidade, fiquem com o ‘blocão’. E o PL, embora seja tão grande, ainda assim não conseguiria força para pegar uma das vagas”, avalia.
Com apoio do Centrão e da esquerda, Motta pode isolar PL na escolha por comissões em 2027







