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Um em cada quatro paranaenses trabalha por conta própria no mercado formal

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Um em cada quatro paranaenses trabalha por conta própria no mercado formal

A quantidade de pessoas trabalhando por conta própria no mercado formal (ou seja, sem vínculo empregatício sob o regime da CLT e sem subordinação a um patrão) bateu recorde no Paraná. É o que revelam dados do módulo Características adicionais do mercado de trabalho da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, os quais apontam que praticamente um quarto da população ocupada no estado é formada por trabalhadores autônomos.

Conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2025 (ano de referência do estudo) a população ocupada no Paraná somava 6,286 milhões de pessoas. Na comparação com o ano anterior, verifica-se ainda um aumento de 2,91% nesse contingente. Ou seja, 178 mil trabalhadores conseguiram ocupação no estado.

E esse avanço ocorreu, em grande medida, por causa do trabalho por conta própria. Dentro dessa categoria estão as pessoas que trabalham explorando o seu próprio empreendimento, sozinha ou com sócio, sem ter empregado e contando, ou não, com a ajuda de trabalhador não remunerado (como um familiar).

Isso porque, em 2024, o Paraná contava com 1,427 milhão de trabalhadores autônomos. No ano seguinte, já eram 1,482 milhão – 3,85% ou 55 mil a mais. Com isso, o estado registrou um recorde de pessoas trabalhando por conta própria, considerando-se o número absoluto e a série histórica iniciada em 2012.

Além disso, houve um avanço na proporção de autônomos dentro da população ocupada paranaense. Em 2024, esse porcentual era de 23,36%. Em 2025, já chegou a 23,58%. Ainda assim, antes da pandemia, entre 2017 e 2019, esse porcentual chegou a ser mais alto (variando entre 23,72% e 24,35%).

De qualquer forma, temos um cenário em que praticamente um quarto da população ocupada trabalha por conta própria no Paraná.

Serviços e Comércio responderam por dois terços da força de trabalho independente

No Brasil, os grupamentos de Serviços e de Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas foram os que tiveram maior concentração de empregadores e trabalhadores por conta própria. O setor de Serviços manteve o maior contingente, com 14,0 milhões de ocupados, o equivalente a 45,7% do total nacional. O Comércio consolidou-se como a segunda maior atividade em absorção de mão de obra, com 6,4 milhões de trabalhadores (20,9%), seguido pela Construção (12,8%), Agricultura (12,0%) e pela Indústria geral, que apresentou a menor participação na estrutura ocupacional dessas categorias, registrando 8,5% (2,6 milhões de pessoas).

Em relação à formalização dos negócios, medida pela taxa de cobertura no CNPJ, o Comércio apresentou o maior índice de registro do país, com 49,8% em 2025, o que significa que quase a metade dos comerciantes independentes operavam formalmente. Os Serviços registraram a segunda maior cobertura, com 40,3% de sua população cadastrada.

Entre as atividades com menor formalidade, os destaques foram os setores da Construção (18,8%) e a Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, cuja taxa de cobertura foi de apenas 8,6%.

O sonho do negócio próprio e um exemplo de superação

Em Curitiba, um conhecido exemplo de trabalhador autônomo é o de Valri Novaki. Ele é o responsável pelo negócio Pipoca do Valdir, um tradicional carrinho de pipocas que fica na Praça Tiradentes, no Centro Histórico de Curitiba, há 24 anos.

Nascido em São Mateus do Sul, no interior do Paraná, Valdir chegou a trabalhar na juventude como boia-fria. Em busca de melhores condições de trabalho, no entanto, mudou-se para Curitiba em 1989. Primeiro, trabalhou como balconista numa banca de revistas. Mas mais tarde, já com família formada, ele percebeu que precisava ganhar mais. Foi quando decidiu investir no seu próprio negócio.

“O que eu tirava de balconista não supria minha necessidade, mas fiquei um bom tempo lá. Foram 14 anos guardando dinheiro para fazer o carrinho, comprar todos os utensílios”, relata ele, que resolveu investir no ramo da pipoca porque o investimento inicial era menor do que o exigido, por exemplo, para se fazer um carrinho de cachorro-quente. “Eu não fui pro cachorro-quente porque o conceito que eu tinha era que o milho de pipoca era barato, era o que o meu bolso alcançava. Eu não podia ter carrinho de cachorro-quente, demandaria mais investimento.”

Tão logo conseguiu o ponto para montar seu negócio, Valdir largou o emprego e passou a dedicar-se inteiramente ao ofício de pipoqueiro. “Desde quando eu consegui a vaga aqui, fiquei só na pipoca. Desde sempre o meu objetivo não era ser só mais um pipoqueiro no Centro de Curitiba, mas ser o melhor pipoqueiro de Curitiba. Continuo mantendo esse sonho de ser o melhor pipoqueiro de Curitiba e já fui citado várias vezes como o melhor do Brasil. Quando a gente quer, a gente consegue”, vangloria-se.

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