Doenças crônicas e cardiovasculares representam uma proporção crescente da perda de saúde — seja diagnósticos ou óbitos — na região das Américas. A constatação está presente na edição mais recente do relatório Saúde nas Américas, apresentado pela OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde) na última terça-feira (29) durante o 63º Conselho Diretor da Organização.
Segundo o estudo, o aumento no número de casos envolvendo diabetes, câncer, transtornos mentais e outras enfermidades crônicas estão relacionados ao estilo de vida da população, como a falta de alimentação saudável, inatividade física, consumo de tabaco e álcool, entre outros.
Além disso, o relatório da OPAS aponta que cerca de 40% da carga total das doenças nessa região poderiam ser evitadas com uma prevenção mais eficaz, tratamentos oportunos e sistemas de saúde mais sólidos.
Para Jarbas Barbosa, diretor da Organização, os achados alertam os países a agirem de forma rápida para evitar o avanço dessas doenças.
Grande parte dessa carga se concentra em doenças cardiovasculares, diabetes, doenças renais, condições maternas e neonatais, violência, traumatismos e infecções respiratórias como a tuberculose. Com prevenção eficaz e acesso oportuno a uma atenção de qualidade, muitas dessas doenças, incapacidades e mortes prematuras poderiam ser evitadas
Jarbas Barbosa, diretor da OPAS
A análise também mostra que apesar dos recursos serem os mesmos em alguns países, os resultados costumam ser diferentes nas regiões. Ou seja, não seria apenas realizar o investimento, mas descentralizá-lo, alcançando pessoas que realmente precisam. Isso seria realizado por meio de uma atenção primária à saúde com serviços mais organizados.
Prioridades para avançar na área da saúde
O relatório identificou cinco áreas nas quais os países podem concentrar suas ações e, assim, evoluir na saúde dos residentes.
- Fortalecer a atenção primária à saúde para garantir o acesso à detecção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento de rotina das doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e outras condições importantes, ao mesmo tempo em que são abordadas as principais causas de problemas de saúde.
- Priorizar e financiar serviços de saúde de alto impacto, transformando as evidências em pacotes de serviços acessíveis e viáveis, apoiados por profissionais de saúde, medicamentos, meios de diagnóstico e sistemas de referência e contrarreferência para garantir que os serviços de saúde prioritários estejam disponíveis e sejam prestados de maneira eficaz.
- Reduzir as maiores lacunas, utilizando dados nacionais para identificar onde a carga de doenças é maior e onde é mais viável alcançar melhorias, particularmente entre as populações que enfrentam barreiras relacionadas à renda, à localização geográfica, à educação e ao acesso à atenção.
- Atuar de maneira intersetorial sobre os determinantes da saúde, incluindo o consumo de tabaco e álcool, ambientes alimentares, atividade física, poluição do ar, segurança viária, violência, água e saneamento, riscos relacionados às mudanças climáticas e proteção social.
- Fortalecer a prestação de contas e a cooperação entre os países para implementar ações prioritárias, compartilhar soluções e aprender com o que demonstrou resultados.







