A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento projeta que o Produto Interno Bruto do Brasil deve crescer 1,8% em 2026 e 1,5% em 2027. Já o PIB global crescerá 2,6% neste ano, abaixo dos 2,9% de 2025. Para 2027, a expectativa é de alta de 2,7%
O relatório cita como fatores da desaceleração choques energéticos, política monetária restritiva, custos de empréstimo mais altos e fragmentação geoeconômica. A estimativa consta no documento Trade and Development Report 2026, divulgado nesta 6ª feira (9.out.2026). Leia a íntegra (PDF – 10 MB).
Eis as projeções da UNCTAD para 2026 e 2027:
- Estados Unidos – 2,1% em 2026 e 1,8% em 2027;
- China – 4,5% em 2026 e 4,5% em 2027;
- Índia – 7,3% em 2026 e 6,8% em 2027; e
- América Latina e Caribe – 2,1% em 2026 e 2,3% em 2027.
COMÉRCIO
O volume do comércio global deve crescer cerca de 4% em 2026, segundo a UNCTAD. Em valores nominais, o total superará US$ 35 trilhões, impulsionado por altas de preços.
O comércio de bens de tecnologia avançou 22% em 2025 e chegou a US$ 4,2 trilhões. O setor respondeu por 42% do crescimento do comércio mundial de bens no ano.
A UNCTAD afirma que o ganho é concentrado. Na cadeia de servidores avançados para inteligência artificial, 82% do valor adicionado fica em 4 segmentos:
- projetistas de chips, como a NVIDIA;
- fundições de semicondutores, como a TSMC;
- fabricantes de memória, como SK Hynix, Samsung e Micron;
- montadoras especializadas.
Do valor adicionado, 68% se transformam em lucro operacional das empresas após impostos, de acordo com o relatório. Os trabalhadores ficam com menos de 15%. Os países em desenvolvimento fornecedores de matérias-primas ficam com menos de 1% do valor final.
PROTECIONISMO
A tarifa média global sobre produtos manufaturados subiu de 1,9% em 2024 para 4,7% em 2025, segundo o TDR 2026.
De 2022 a 2025, governos de economias avançadas adotaram 7.482 medidas de política industrial. A média anual é de quase 2.500 ações, 1,5 vez a da década anterior.
Esses países concentram 70% dos investimentos greenfield (em novas instalações) em semicondutores, inteligência artificial e tecnologias de transição energética. O Sul Global lidera apenas em minerais críticos, com 59% dos aportes.
AJUDA EXTERNA
A Ajuda Oficial ao Desenvolvimento (ODA, na sigla em inglês) dos países do CAD (Comitê de Assistência ao Desenvolvimento) da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) cairá 6,9% em 2026, conforme a UNCTAD.
É o 3º ano seguido de queda. Em 2024, o recuo foi de 8,5%. Em 2025, de 23,3%.
O valor total será de US$ 152 bilhões, em dólares constantes de 2024. É o menor em termos absolutos desde 2014 e equivale a 0,23% da RNB (Renda Nacional Bruta) combinada dos doadores. A meta internacional é de 0,7%.
Segundo o relatório, os gastos militares globais chegaram a US$ 2,7 trilhões em 2025, o equivalente a 13 vezes a ODA.
A UNCTAD calcula em US$ 4,3 trilhões por ano o hiato de financiamento para que os países em desenvolvimento cumpram os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) até 2030.







